big bang no. 1

Os olhos que se abrem agora
Enxergam uma vida que é outra
o seu corpo
uma capa.

Um buraco terrível
Que não se contenta em existir e emana,
Um buraco em expansão.

Aquele buraco que naquele momento esmagava sua alma com força de cem abismos.
Respirava.

Como monômeros em contato com uma atmosfera de alta troca energética
ele era propício.
Ágil como a mitocôndria.,
Devastador como a fissão nuclear
Devastador sim.
Porque naquele momento seu estômago trazia uma fome congelante.
A fome de um balão prestes a inflar-se sacudindo toda aquela matéria superdensa
aquilo que estava engasgado em seu peito
E tudo que esse balão precisava era de nada mais que um vazio
Um vazio inexplicável.
Um vazio absurdo.
Absurdo como a vez que um balão que quis inexistir com tanta força
que acabou criando tudo o que houve além dele.
Ele vomita,
Estrelas.
O Plasma,  pulsante, esférico,
subjulgado por si mesmo.




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